segunda-feira, 21 de maio de 2012

Contorno cosmético

                                         Caso inicial. Vejam as alterações de forma, ponto de contato e ameias incisais, que se encontram muito fechadas. Além disso, no tratamento de contorno cosmético do sorriso, ainda realizam-se modificações nas áreas de reflexão e dispersão de luz. Sendo assim, fez-se a análise dos desgastes conservadores nas regiões a serem tratadas.
                                          Notem em vistas laterais, o planejamento dos desgastes no modelo de gesso.
                                          Desgastes sendo realizados com pontas diamantadas e discos abrasivos.
                                           Inicial x final. Notem a harmonia e estética que foram devolvidos ao sorriso da paciente.
                                         Inicial x Final. Notem que nenhuma restauração foi realizada no tratamento remodelador cosmético.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Entrevista: Victor Clavijo


Victor Clavijo concluiu sua graduação em Odontologia pela Universidade Paulista em 2002, em seguida iniciou sua especialização em Dentística  Restauradora sendo finalizada em 2004 que deu-se continuidade sua trajetória acadêmica realizando Mestrado e Doutorado em Dentistica pela Universidade Estadual Paulista UNESP Araraquara concluído em 2011. Nesse tempo de pós graduação também realizou especialização em Implantes para dar suporte a sua formação na área restauradora. Atualmente divide sua atividade entre consultório particular em Indaiatuba, Rio de Janeito com Dr. Mário Groisman e com o grupo Implante Perio em São Paulo além de semestralmente realizar parte do Grupo Conexão Brasil - Bélgica junto ao renomado Dr. Eric Van Dooren.
Victor ministra cursos no Brasil e alguns países da America Latina, faz parte do grupo de professores do Instituto Implante Perio em São Paulo e possui um curso de módulos denominado Visão Restauradora junto ao Dr. William Kabback, formando o grupo Estética Restauradora.
Já publicou mais 40 artigos nas principais revistas nacionais e internacionais, todos com ênfase em técnicas para o dia-dia da clínica restauradora.

1-     Para você, qual a grande tendência de odontologia estética hoje?
Acredito que a tendência da odontologia estética seja voltar a ideia de clínica geral ou clínica integrada, ou seja, ser uma odontologia interdisciplinar, quebrando paradigmas onde estética seja somente porcelanas, pinos, resinas, e  sim enxergar em um contexto geral e não somente dentes. Tratar o paciente como um todo desde os músculos da face até os dentes. Portanto passo o seguinte recado aos nossos colegas: antes de pensarem em alguma especialização em estética, façam cursos de diversas disciplinas... ampliem seu conhecimento e somente depois entre afundo em uma área específica.

2-     Como que você vê a interdisciplinaridade na odontologia estética? Ela é imprescindível?
Com certeza hoje a odontologia estética, como disse acima, é uma clínica geral moderna, onde o clínico tem que estar atento a todas as possiblidades de tratamento da ortodontia a reabilitação oral, uma vez que acessibilidade as técnicas bem como os materiais são mais fáceis.  Hoje, portanto, podemos melhorar a qualidade do nosso tratamento ao paciente, deixando-o cada vez mais minimamente invasivo através da união das disciplinas. Sugiro como exemplo meu artigo publicado na Revista QDT 2012, onde foi realizado um tratamento com ortodontia, periodontia, implantodontia, prótese sobre implante e dentísitica restauradora, realizando-se uma reabilitação estética do sorriso sem nenhum desgaste da estrutura dental remanescente.

3-     Você é um profissional que preza muito pela beleza da documentação dos seus casos. Em que patamar a fotografia deve estar em um planejamento estético?

Gosto de fotografia, pois é com ela que aprendo todos os dias, onde observo meus erros e acertos. O congelamento da imagem para o planejamento é imprescindível uma vez que você pode observar detalhes com mais tempo e de diferentes ângulos. Sei que é difícil mudar paradigmas antigos e incluir a documentação fotográfica inicial na primeira consulta, porém quem aprende a planejar com fotografias juntamente com modelos, realiza um tratamento mais organizado, detalhado e com certeza muito mais previsível. Ou seja, a fotografia no planejamento estético deve estar em primeiro plano aliado se possível a analise D.S.D, idealizado pelo nosso amigo Christian Coachman e Marcelo Calamita, que também possuem um excelente artigo na Revista QDT 2012.

4-     Qual o melhor protocolo de cimentação para a cimentação de restaurações cerâmicas em zircônia? Existe um protocolo ideal?

    A literatura busca evidências e condicionamentos dia a dia, porém através de comunicação pessoal com Professor Sillas da USC- EUA, utilizo um condicionamento da estrutura com ultrassom por 5 minutos para limpeza de resíduos internos, seguido de aplicação de metal/zircônia primer zircônia, uma fina camada de adesivo com fotopolimerização por 20 segundo e a utilização do cimento resinoso U-100 3M ESPE. Existem vários protocolos porém utilizo o descrito acima.

5-     Qual a durabilidade de um tratamento com fragmentos cerâmicos? Esse tratamento restaurador tem longevidade clínica considerável?

     Fragmentos cerâmicos?! Cada vez mais no ``modismo odontológico``! O conhecimento sobre esta técnica obtive através de excelentes professores e com certeza um dos primeiros a realizarem esta técnica há uns 14 anos atrás, os Drs. Marcelo Kyrillos e Marcelo Moreira. A longevidade desses fragmentos que posso salientar foi através de casos acompanhados juntamente a eles, onde foi observado longevidade clínica de 10 anos, porém com alguns casos com manchamento da linha de união bem como a diferença de cor do dente natural com o fragmento cerâmico. Com certeza é uma realidade clínica, porém com suas indicações, o quê observo hoje são muitas pessoas divulgando a técnica sem ter experiência nem uma sequência de casos, influenciando assim outros clínicos a realizarem, porém esquecendo que confeccionar e colar é bem mais simples do que um dia ter remover! Para criar e colar o fragmento cerâmico é minimamente invasivo, mas para remove-los acredito que não seja.

6-     Para restaurações de classe IV: Fazer ou não o bisel?

    Hoje acompanhando casos com longevidade de 2 a 8 anos com resina compostas juntamente com meu parceiro William Kabbach, observamos que em restaurações que realizamos bisel obtivemos em grande porcentagem margens mais estáveis do que restaurações onde não os realizamos, portanto acredito que um mínimo bisel deve ser realizado para ter uma restauração com maior longevidade e consequentemente melhor comportamento estético.

7-     Para você, qual o tratamento restaurador estético mais difícil de se realizar?
      
      Na minha opinião, o tratamento estético mais difícil de se realizar é o planejamento estético e a sequência de tratamento, pois uma vez que estes são bem realizados a parte prática se torna mais previsível. Quanto a técnica, acredito que realizar excelentes restaurações em resina composta totalmente imperceptíveis a visão natural seria o mais difícil, uma vez que fotografia para cursos, revistas ainda mais com luzes rebatidas mascaram a realidade do dia a dia de muitos formadores de opinião, consequentemente iludindo os clínicos.

8-     Você tem algum dentista ou protético em que você se espelha?  

     Difícil pergunta! Dentistas me espelho em muitos... Desde aos que mudaram os paradigmas a alguns anos atrás, como o prof. Baratieri,  Kina, Hirata, Scopin, Paulo Kano a parceiros de hoje Joly, Paulo Fernando, Robert, Eric Van Dooren, Marcelo Calamita, Cristian Coachman, Marcelo Moreira , Marcelo Kyrillos, Mario Groisman, William Kabbach e  Fabio Fujiy entre outros. Quanto a técnicos com certeza meus parceiros Rodrigo Monsano, Leonardo Bocabella, Murilo Calgaro, Luis alves Ferreira e Marcos Celestrino.

       Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Remodelação cosmética com resina composta

                                           

                                           Fotografia inicial. Notem o diastema entre os incisivos centrais, além de alterações morfológicas, especialmente no terço incisal. Nota-se ainda a durabilidade do tratamento de colagem de fragmentos, também nos centrais.



                                         Foram feitos pequenos desgastes com ponta diamantada somente na região da linah de transição entre o fragmento e a estrutura dental.


                                         Condicionamento ácido da região a ser reanatomizada

                                        
                                          Aplicação de sistema adesivo Tetric-N-Bond (Ivoclar Vivadent)

                        
                                           Remodelação cosmética com resina Charisma Opal (Hereaus Kulzer). Caso finalizado.

 
                                          Estética e função devolvidos aos incisivos centrais superiores.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Entrevista: Luis Gustavo Albino










 
Graduado na Universidade Cruzeiro do Sul - UNICSUL - 2001
Pós-graduado em Endodontia
Especialista e Mestre em Dentística - UNG
Prof. Departamento de Dentística da Universidade Guarulhos - UNG
Prof. Coordenador de Morfologia aplicada - UNG
Prof. Curso de Estética APCD- Saúde
Prof. Coordenador do Curso de Estética Avançada do Ateliê Dr. Luis Gustavo
Membro da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética
Membro da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica



1-      Qual a grande tendência de odontologia estética hoje?

Creio que a grande Tendência da Odontologia é cuidar da saúde do seu Paciente e isso se aplica a Odontologia Estética também, conhecer, saber indicar e utilizar as diversas especialidades na otimização do resultado final é fundamental para o sucesso do tratamento, ser o mais conservador possível e preservar ao máximo a estrutura dental sadia deve estar permeado em nossos atos.  Acredito muito que o planejamento aliado à previsibilidade, estudo e ética profissional são os princípios lógicos para a chave do sucesso. Hoje investimos muito na individualização de cada caso clínico, tentando suprir ao máximo todos os anseios de nossos pacientes. Na nossa concepção o que rege as tendências da Odontologia Estética é a busca sempre do melhor, é se superar a cada caso é ver o brilho nos olhos de nossos pacientes e dizer “Hoje fiz o meu Melhor”; para isso é fundamental estarmos vinculados a cursos, a revistas científicas, ter foça de vontade e principalmente paciência para a vida. Seria tendencioso em falar faça Resina ou faça Cerâmica,  na verdade faço o que for melhor para o paciente, embasado em um minucioso Planejamento Clínico.     
       
2-      Existe um kit de resina ideal?

Procuro sempre que possível, entre Universidade, Clínica e Cursos, ler muitos artigos sobre resina composta. Considero a resina um dos materiais mais difíceis de se manipular e acho que posso extrair dela o máximo que ela pode me proporcionar, mas acredito fielmente que um sistema de resina composta não é capaz de suprir todas as necessidades clinicas. O que observo é que cada resina tem suas particularidades.     Perpetuo minha concepção com um livro clássico de dois dos maiores restauradores  que acompanho, Didier Dietschi & Roberto Spreafico, onde dizem que nunca vai existir um sistema restaurador ideal que supra todas as necessidades do Clinico Geral. O que posso afirmar é que em 100% dos meus casos clínicos finalizo com uma resina nanoparticulada, devido a sua grande esculpibilidade e ao polimento fantástico que nos proporciona.  

3-      Para dentes posteriores, o que você acha da “técnica do carimbo”?

A Técnica do “Carimbo” é muito interessante, eu vi essa técnica pela primeira vez no ultimo congresso da Revista Clinica, na palestra brilhante do Prof. Edson Araujo, que demostrou em vídeo, o passo a passo. Quando cheguei à Universidade a qual faço parte do Departamento de Dentística, comecei a procurar alunos para testar se realmente aquela técnica funcionava , o que posso adiantar é que depois de 3 tentativas consegui um resultado perfeito com quase “zero” de ajuste  oclusal. Hoje depois de ter feito mais de 10 casos, o que observo é que todos eles sem exceção estão em perfeito estado. Entretanto ressalto que a técnica restauradora, propriamente dita, é apenas uma das fases críticas do processo restaurador. A sensibilidade de desenvolver um caso clínico duradouro deve sempre estar ligado a todos os passos interdependentes por qual passamos, desde a anestesia ate o polimento final. Infelizmente observamos que a venda indiscriminada de restaurações em resina composta sem o mínimo de conhecimento eleva a taxa de insucesso clínico colocando em” xeque” o operador e o material.
  
4-      Quais os princípios básicos para a análise estética do sorriso?

Bom, a análise do sorriso é totalmente dependente da análise facial uma vez que dependemos de um mínimo de beleza estrutural para denotar a qualidade do resultado final de nossa composição estética. Portanto identificar algum tipo de assimetria facial é identificar que o caso esta comprometido. Tomaremos por base que um paciente chegue à nossa clínica para reabilitarmos somente o sorriso, visto que não apresenta nenhuma discrepância facial, o que realmente analisamos é:  Tecido Gengival, relação dentolabial, relação dental e por fim um estudo de cores detalhados. Mas ressalto que, para tal, necessitamos de um material imprescindível para o Cirurgião Reabilitador Estético, Uma maquina Fotográfica Profissional  com tomadas específicas que nos elevarão a taxa de sucesso final.

5-      Você utiliza pigmentos nas suas restaurações de resina composta. Eles são fundamentais para alcançar alta estética com resinas compostas?

Quando nos referimos a dentes posteriores há controvérsias. Já tive que refazer restaurações por pacientes que não gostaram da pigmentação dos sulcos. Acho fundamental para a clínica diária que esse processo seja muito bem discutido com o paciente assim evitamos problemas futuros.
Já quando nos referimos a dentes Anteriores, conseguimos otimizar alguns casos clínicos com pigmentos intrínsecos principalmente quando não temos espaços para trabalharmos com resinas de esmalte acromáticos, nesse ponto vou um pouco mais a fundo, os pigmentos são fundamentais e me proporcionam preservar estrutura dental sadia. Tenho aceitação em 100% dos meus casos. 

6-      O mock-up é indispensável para reabilitações estéticas dos dentes anteriores? Como você faz o mock-up estético?

Quando comecei a realizar restaurações de dentes anteriores, tínha que fazer  todo o trabalho à mão livre. Hoje, com a evolução da técnica, nos privilegiamos de obter um guia através de um processo pré- restaurador chamado de Enceramento Diagnóstico, mas a evolução foi além e começamos então a levar esse enceramento para a boca com uma técnica simples e eficiente . Com o aumento da demanda de restaurações estéticas com resina composta direta, eu e minha equipe criamos um protocolo de trabalho o qual consideramos ser imprescindível.  Envolvido nesse protocolo está o Mock up. Não fazemos mais nenhum caso sem a prova do enceramento e a aprovação do Paciente. Compilamos o maior numero de dados possíveis até o ato operatório. Acredito que assim evitamos intercorrências durante nosso trabalho. Todavia, esse simples e eficaz procedimento engloba uma serie de passos envolvendo a moldagem com silicone de adição, obtenção de um modelo de trabalho sem stress e totalmente fidedigno. Ainda na mesma sessão faço o registro de mordida e  protocolo fotográfico incluindo cabeça e pescoço. Enviamos o máximo de dados possíveis ao Técnico em Prótese Dentária para a realização do enceramento diagnóstico, pós confecção do enceramento. Com um silicone de condensação  moldamos o enceramento e obtemos a matriz. Na mesma sessão afastamos e protegemos o tecido gengival com fio afastador 000 e isolamos os dentes, a  serem tratados, com vaselina sólida. Finalizando o processo, aplicamos a resina  Bis-acrilica na matriz e levamos em posição na cavidade oral. Passado o tempo de reação de presa, removemos a matriz e todos o excesso . O mais importante em nosso procedimento é deixar o paciente à vontade frente ao espelho por 5 minutos assim ele decide se deve aceitara as mudanças ou não.
     
7-      O que o clínico geral precisa saber para realizar restaurações em dentes anteriores com estética satisfatória?

É importante que o clínico se conscientize que para oferecer um tratamento elaborado ao paciente. Este precisa se atualizar, se permitir conhecer novas técnica treinar em bancada e, principalmente, persistir. Dentes anteriores de composição ou o Cirurgião ganha o paciente ou ele perde o paciente. Essa carga de responsabilidade nos leva a tentar atingir a excelência, pois trabalhamos no “fio da navalha’’ e nosso compromisso é poder oferecer um trabalho de ponta.    

8-      Você tem algum dentista que trabalhe com resina composta e que te inspira?

Muitos me inspiram em 12 anos de profissão nunca vi um Cirurgião Dentista com tanto conhecimento técnico e teórico que nem o Prof. Sidney Kina, o qual tive o prazer de conhecer. Além dele, o Roberto Spreafico, Didier Dietschi, Claudio Pinho (o qual tive a oportunidade de fazer um curso excepcional), Newton Fahl , Pascal Magne, Ronaldo Hirata. E eu ainda não poderia deixar de ressaltar o grande pai de todos o Prof. Luiz Narciso Baratieri. Me inspiro também nos grandes ceramistas, como o Paulo Battistella, Alberto Calazans, Marcos Celestrino, Michel Magne, Murilo Calgaro! Enfim, sempre procuro me apoiar nos melhores, porque um dia quero ser um deles.  


Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior

quinta-feira, 12 de abril de 2012

LEDs para fotoativação: o que há de novo?

Desde que foram criados para substituir os aparelhos de lâmpada halógena, os LEDs passaram por grandes mudanças. Os primeiros LEDs (1° Geração) possuiam uma irradiância baixíssima (em torno de 150 mW/cm2), e havia a necessidade da utilização de vários LEDs dentro do mesmo aparelho. No entanto, as pesquisas mostravam que os aparelhos de lâmpada halógena (QTH) ainda eram melhores que os LEDs de 1° Geração. Sendo assim, os LEDs de 2° Geração foram desenvolvidos, alcançando-se uma irradiância alta, semelhante aos aparelhos QTH, possuindo poucos LEDs no interior do aparelho. Mas ainda assim, tem-se questionado a eficiência de polimerização desses LEDs de 2° Geração para alguns materiais resinosos, especialmente resinas para dentes clareados e resinas de efeito e alguns cimentos resinosos, como o Panavia F (Kuraray). Isso ocorre porque os LEDs de 2° Geração possuem o espectro de emissão luminosa exclusivamente para ativar a canforoquinona, que é o fotoiniciador mais presente nos materiais à base de resina. Porém, algumas empresas utilizam outros fotoiniciadores além da canforoquinona, como o PPD e o TPO, que não são bem excitados pelo LED de 2° Geração. Com isso, houve a necessidade de se desenvolver LEDs que tivessem um pico de luz que atingisse esses fotoiniciadores. São os novos LEDs de 3° Geração. Esses aparelhos possuem 2 picos de emissão de luz: um para a canforoquinona e outro para os fotoiniciadores no espectro luminoso ultra-violeta. Isso faz com que haja uma tendência de mercado, em substituição definitiva dos aparelhos de lâmpada halógena pelos "super-poderosos" LEDs de 3° Geração. Ainda assim, deve-se sempre ler a bula do material resinoso em questão e utilizar de ciência, para uma correta fotoativação dos materiais resinosos. No Brasil, o único LED de 3° Geração disponível para compra é o Bluepase G2. Lembrem-se: Para uma boa fotoativação, deve-se somar um bom aparelho fotoativador + proteção ocular com óculos laranja + limpeza dos restos de resina da ponteira da fonte de luz + boa manutenção regular dos aparelhos + ler a bula do material a ser fotoativado. E que venha a luz...

Os LEDs de 3° Geração hoje no mercado são:

-Bluephase G2 (Ivoclar Vivadent)
- VALO (Ultradent)
- Smartlite Max (Dentsply)
- G-Light (GC)




LEDs do Bluephase G2. Notem a disposição em quadrantes e que somente 1 dos 4 LEDs está emitindo luz Ultravioleta


Bluephase G2
VALO
Smartlite Max

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Entrevista: Ronaldo Hirata




Graduado em 1994 pela UFPR.
Especialista em dent. rest. UFPR em 1996
Mestre em materiais dentários  PUC-RS em 2002
Doutor em dentística restauradora pela UERJ em 2008
Clínica privada desde 1995
Ministrante de cursos desde 1996
Professor de graduação de 1996 a 2006
Cursos ministrados no Brasil, America Latina, EUA, Europa
Editor chefe da revista DICAS
Autor do livro TIPS




1-      Qual a grande tendência de odontologia estética hoje?

Acredito que a tendência da odontologia estética seja procedimentos cada vez mais conservadores, onde o esmalte dentário é o foco principal. A valorização do selamento e adesão realizada neste esmalte é o que mais chama atenção.
O segundo ponto que me parece bastante forte é a influência do dissilicato de lítio nas indicações de cerâmicas bastante conservadoras e com resistência adequada. A versatilidade atual do uso da cerâmica a base de dissilicato é formidável.
A terceira acredito que tenha relação com os sistemas adesivos, com clara tendência aos autocondicionantes, queria você ou não.
A quarta talvez seja direcionado a resinas compostas: técnicas simplificadas de estratificação, com menos cores e variações serão a rotina, sem a grande viagem blasé que passamos em outras fases.

2-      Quando você está na frente do público, ministrando uma palestra, sempre espera-se uma ótima aula. Você se inspirou ou se inspira em alguém?

Espelhar é difícil e negativo porque cada um deve encontrar um estilo e forma de apresentação e comunicação, mas exemplos temos vários. Dois deles que gosto muito de assistir são o prof. Baratieri e o prof. Kina. Sempre é motivador e agradável sair de um curso deles, a sensação sempre é positiva, e este é o sentido de se assistir alguém: sair motivado para mudanças.

3-      Em relação às resinas compostas, qual a evolução mais marcante na sua opinião desses materiais?

Vou ser sincero, ela é bem parecida hoje com o que era a 20 anos atrás. Olhe o Herculite (Kerr), você acha realmente que as resinas são muito diferentes desta resina de vinte e poucos anos atrás?

4-      Como você desenvolveu sua habilidade de esculpir tão bem com resinas compostas?

Tive sempre dificuldade com dentes posteriores e adquiri uma obsessão por escultura, até um dia que tive um click vendo uma imagem de um dente, e minha técnica mudou sensivelmente. Busquei sempre cursos para protéticos, entre eles os de enceramento, e sempre observei muito técnicas e dentes. Acima de tudo indico sempre buscar uma fonte inspiradora como o prof. Paulo Kano, o mestre.

5-      Há um kit ideal de resina? Quais cores você indicaria para um kit básico de resina composta?

Escolha uma marca de resina microhíbrida, nanohíbrida ou nanoparticulada (Não importa) e compre:
A3, A2 e A1 dentina
A3, A2, A1 e dentes clareados esmalte
Uma resina de efeito incisal transparente (incisal ou transparente)
Uma resina translúcida levemente esbranquiçada como por exemplo PF (Vitalescence), trans 20 (Ivoclar vivadent), WE (Z-350 XT).

6-      Tem-se ouvido falar muito da técnica semi-direta de restaurações em compósito. Há limite entre a utilização de onlay de resina indireta e cerâmica?

Vejo um tendência de pequenos onlays e inlays serem direcionados para resinas compostas devido a margem oclusal que ser deteriora muito com sistemas cerâmicos, incluso dissilicato de lítio. Para grandes overlays com certeza indicaria cerâmicas.

7-      Vejo nos seus cursos que você planeja a escultura da resina na restauração visando uma boa distribuição de contatos oclusais, evitando assim ajustes oclusais demasiados. Qual a importância desses conceitos de oclusão na prática diária?

Esta é uma função da escultura: direcionar contatos e ajuste oclusal, não para ser bonito. Os ajustes corretos estabilizam posicionamento dental, equilibrando o sistema e evita a ocorrência de contatos prematuros ou interferências oclusais.

8-      Para você, ainda há indicação de utilização de resinas flow em restaurações em resina composta?

Uso muito em situações onde clinicamente a resina composta restauradora tem dificuldade de adaptação clínica (veja, estou falando de adaptação clínica e não contração). Acho admirável tantas pessoas falarem e se preocuparem tanto em contração volumétrica de 3,5% ou 4% e deixando buracos e falhas de adaptação na cavidade como tem acontecido. Temos que aprender a adaptar a resina na cavidade, manipular corretamente. Parece óbvio mas não é.

9-      O que você espera o futuro das restaurações de resina composta?



Uma resina que seja passível de ser utilizada com maior conversão de polimerização, mantendo mais polimento e com 6 cores somente.

Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior