sexta-feira, 13 de abril de 2012

Entrevista: Luis Gustavo Albino










 
Graduado na Universidade Cruzeiro do Sul - UNICSUL - 2001
Pós-graduado em Endodontia
Especialista e Mestre em Dentística - UNG
Prof. Departamento de Dentística da Universidade Guarulhos - UNG
Prof. Coordenador de Morfologia aplicada - UNG
Prof. Curso de Estética APCD- Saúde
Prof. Coordenador do Curso de Estética Avançada do Ateliê Dr. Luis Gustavo
Membro da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética
Membro da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica



1-      Qual a grande tendência de odontologia estética hoje?

Creio que a grande Tendência da Odontologia é cuidar da saúde do seu Paciente e isso se aplica a Odontologia Estética também, conhecer, saber indicar e utilizar as diversas especialidades na otimização do resultado final é fundamental para o sucesso do tratamento, ser o mais conservador possível e preservar ao máximo a estrutura dental sadia deve estar permeado em nossos atos.  Acredito muito que o planejamento aliado à previsibilidade, estudo e ética profissional são os princípios lógicos para a chave do sucesso. Hoje investimos muito na individualização de cada caso clínico, tentando suprir ao máximo todos os anseios de nossos pacientes. Na nossa concepção o que rege as tendências da Odontologia Estética é a busca sempre do melhor, é se superar a cada caso é ver o brilho nos olhos de nossos pacientes e dizer “Hoje fiz o meu Melhor”; para isso é fundamental estarmos vinculados a cursos, a revistas científicas, ter foça de vontade e principalmente paciência para a vida. Seria tendencioso em falar faça Resina ou faça Cerâmica,  na verdade faço o que for melhor para o paciente, embasado em um minucioso Planejamento Clínico.     
       
2-      Existe um kit de resina ideal?

Procuro sempre que possível, entre Universidade, Clínica e Cursos, ler muitos artigos sobre resina composta. Considero a resina um dos materiais mais difíceis de se manipular e acho que posso extrair dela o máximo que ela pode me proporcionar, mas acredito fielmente que um sistema de resina composta não é capaz de suprir todas as necessidades clinicas. O que observo é que cada resina tem suas particularidades.     Perpetuo minha concepção com um livro clássico de dois dos maiores restauradores  que acompanho, Didier Dietschi & Roberto Spreafico, onde dizem que nunca vai existir um sistema restaurador ideal que supra todas as necessidades do Clinico Geral. O que posso afirmar é que em 100% dos meus casos clínicos finalizo com uma resina nanoparticulada, devido a sua grande esculpibilidade e ao polimento fantástico que nos proporciona.  

3-      Para dentes posteriores, o que você acha da “técnica do carimbo”?

A Técnica do “Carimbo” é muito interessante, eu vi essa técnica pela primeira vez no ultimo congresso da Revista Clinica, na palestra brilhante do Prof. Edson Araujo, que demostrou em vídeo, o passo a passo. Quando cheguei à Universidade a qual faço parte do Departamento de Dentística, comecei a procurar alunos para testar se realmente aquela técnica funcionava , o que posso adiantar é que depois de 3 tentativas consegui um resultado perfeito com quase “zero” de ajuste  oclusal. Hoje depois de ter feito mais de 10 casos, o que observo é que todos eles sem exceção estão em perfeito estado. Entretanto ressalto que a técnica restauradora, propriamente dita, é apenas uma das fases críticas do processo restaurador. A sensibilidade de desenvolver um caso clínico duradouro deve sempre estar ligado a todos os passos interdependentes por qual passamos, desde a anestesia ate o polimento final. Infelizmente observamos que a venda indiscriminada de restaurações em resina composta sem o mínimo de conhecimento eleva a taxa de insucesso clínico colocando em” xeque” o operador e o material.
  
4-      Quais os princípios básicos para a análise estética do sorriso?

Bom, a análise do sorriso é totalmente dependente da análise facial uma vez que dependemos de um mínimo de beleza estrutural para denotar a qualidade do resultado final de nossa composição estética. Portanto identificar algum tipo de assimetria facial é identificar que o caso esta comprometido. Tomaremos por base que um paciente chegue à nossa clínica para reabilitarmos somente o sorriso, visto que não apresenta nenhuma discrepância facial, o que realmente analisamos é:  Tecido Gengival, relação dentolabial, relação dental e por fim um estudo de cores detalhados. Mas ressalto que, para tal, necessitamos de um material imprescindível para o Cirurgião Reabilitador Estético, Uma maquina Fotográfica Profissional  com tomadas específicas que nos elevarão a taxa de sucesso final.

5-      Você utiliza pigmentos nas suas restaurações de resina composta. Eles são fundamentais para alcançar alta estética com resinas compostas?

Quando nos referimos a dentes posteriores há controvérsias. Já tive que refazer restaurações por pacientes que não gostaram da pigmentação dos sulcos. Acho fundamental para a clínica diária que esse processo seja muito bem discutido com o paciente assim evitamos problemas futuros.
Já quando nos referimos a dentes Anteriores, conseguimos otimizar alguns casos clínicos com pigmentos intrínsecos principalmente quando não temos espaços para trabalharmos com resinas de esmalte acromáticos, nesse ponto vou um pouco mais a fundo, os pigmentos são fundamentais e me proporcionam preservar estrutura dental sadia. Tenho aceitação em 100% dos meus casos. 

6-      O mock-up é indispensável para reabilitações estéticas dos dentes anteriores? Como você faz o mock-up estético?

Quando comecei a realizar restaurações de dentes anteriores, tínha que fazer  todo o trabalho à mão livre. Hoje, com a evolução da técnica, nos privilegiamos de obter um guia através de um processo pré- restaurador chamado de Enceramento Diagnóstico, mas a evolução foi além e começamos então a levar esse enceramento para a boca com uma técnica simples e eficiente . Com o aumento da demanda de restaurações estéticas com resina composta direta, eu e minha equipe criamos um protocolo de trabalho o qual consideramos ser imprescindível.  Envolvido nesse protocolo está o Mock up. Não fazemos mais nenhum caso sem a prova do enceramento e a aprovação do Paciente. Compilamos o maior numero de dados possíveis até o ato operatório. Acredito que assim evitamos intercorrências durante nosso trabalho. Todavia, esse simples e eficaz procedimento engloba uma serie de passos envolvendo a moldagem com silicone de adição, obtenção de um modelo de trabalho sem stress e totalmente fidedigno. Ainda na mesma sessão faço o registro de mordida e  protocolo fotográfico incluindo cabeça e pescoço. Enviamos o máximo de dados possíveis ao Técnico em Prótese Dentária para a realização do enceramento diagnóstico, pós confecção do enceramento. Com um silicone de condensação  moldamos o enceramento e obtemos a matriz. Na mesma sessão afastamos e protegemos o tecido gengival com fio afastador 000 e isolamos os dentes, a  serem tratados, com vaselina sólida. Finalizando o processo, aplicamos a resina  Bis-acrilica na matriz e levamos em posição na cavidade oral. Passado o tempo de reação de presa, removemos a matriz e todos o excesso . O mais importante em nosso procedimento é deixar o paciente à vontade frente ao espelho por 5 minutos assim ele decide se deve aceitara as mudanças ou não.
     
7-      O que o clínico geral precisa saber para realizar restaurações em dentes anteriores com estética satisfatória?

É importante que o clínico se conscientize que para oferecer um tratamento elaborado ao paciente. Este precisa se atualizar, se permitir conhecer novas técnica treinar em bancada e, principalmente, persistir. Dentes anteriores de composição ou o Cirurgião ganha o paciente ou ele perde o paciente. Essa carga de responsabilidade nos leva a tentar atingir a excelência, pois trabalhamos no “fio da navalha’’ e nosso compromisso é poder oferecer um trabalho de ponta.    

8-      Você tem algum dentista que trabalhe com resina composta e que te inspira?

Muitos me inspiram em 12 anos de profissão nunca vi um Cirurgião Dentista com tanto conhecimento técnico e teórico que nem o Prof. Sidney Kina, o qual tive o prazer de conhecer. Além dele, o Roberto Spreafico, Didier Dietschi, Claudio Pinho (o qual tive a oportunidade de fazer um curso excepcional), Newton Fahl , Pascal Magne, Ronaldo Hirata. E eu ainda não poderia deixar de ressaltar o grande pai de todos o Prof. Luiz Narciso Baratieri. Me inspiro também nos grandes ceramistas, como o Paulo Battistella, Alberto Calazans, Marcos Celestrino, Michel Magne, Murilo Calgaro! Enfim, sempre procuro me apoiar nos melhores, porque um dia quero ser um deles.  


Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior

quinta-feira, 12 de abril de 2012

LEDs para fotoativação: o que há de novo?

Desde que foram criados para substituir os aparelhos de lâmpada halógena, os LEDs passaram por grandes mudanças. Os primeiros LEDs (1° Geração) possuiam uma irradiância baixíssima (em torno de 150 mW/cm2), e havia a necessidade da utilização de vários LEDs dentro do mesmo aparelho. No entanto, as pesquisas mostravam que os aparelhos de lâmpada halógena (QTH) ainda eram melhores que os LEDs de 1° Geração. Sendo assim, os LEDs de 2° Geração foram desenvolvidos, alcançando-se uma irradiância alta, semelhante aos aparelhos QTH, possuindo poucos LEDs no interior do aparelho. Mas ainda assim, tem-se questionado a eficiência de polimerização desses LEDs de 2° Geração para alguns materiais resinosos, especialmente resinas para dentes clareados e resinas de efeito e alguns cimentos resinosos, como o Panavia F (Kuraray). Isso ocorre porque os LEDs de 2° Geração possuem o espectro de emissão luminosa exclusivamente para ativar a canforoquinona, que é o fotoiniciador mais presente nos materiais à base de resina. Porém, algumas empresas utilizam outros fotoiniciadores além da canforoquinona, como o PPD e o TPO, que não são bem excitados pelo LED de 2° Geração. Com isso, houve a necessidade de se desenvolver LEDs que tivessem um pico de luz que atingisse esses fotoiniciadores. São os novos LEDs de 3° Geração. Esses aparelhos possuem 2 picos de emissão de luz: um para a canforoquinona e outro para os fotoiniciadores no espectro luminoso ultra-violeta. Isso faz com que haja uma tendência de mercado, em substituição definitiva dos aparelhos de lâmpada halógena pelos "super-poderosos" LEDs de 3° Geração. Ainda assim, deve-se sempre ler a bula do material resinoso em questão e utilizar de ciência, para uma correta fotoativação dos materiais resinosos. No Brasil, o único LED de 3° Geração disponível para compra é o Bluepase G2. Lembrem-se: Para uma boa fotoativação, deve-se somar um bom aparelho fotoativador + proteção ocular com óculos laranja + limpeza dos restos de resina da ponteira da fonte de luz + boa manutenção regular dos aparelhos + ler a bula do material a ser fotoativado. E que venha a luz...

Os LEDs de 3° Geração hoje no mercado são:

-Bluephase G2 (Ivoclar Vivadent)
- VALO (Ultradent)
- Smartlite Max (Dentsply)
- G-Light (GC)




LEDs do Bluephase G2. Notem a disposição em quadrantes e que somente 1 dos 4 LEDs está emitindo luz Ultravioleta


Bluephase G2
VALO
Smartlite Max

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Entrevista: Ronaldo Hirata




Graduado em 1994 pela UFPR.
Especialista em dent. rest. UFPR em 1996
Mestre em materiais dentários  PUC-RS em 2002
Doutor em dentística restauradora pela UERJ em 2008
Clínica privada desde 1995
Ministrante de cursos desde 1996
Professor de graduação de 1996 a 2006
Cursos ministrados no Brasil, America Latina, EUA, Europa
Editor chefe da revista DICAS
Autor do livro TIPS




1-      Qual a grande tendência de odontologia estética hoje?

Acredito que a tendência da odontologia estética seja procedimentos cada vez mais conservadores, onde o esmalte dentário é o foco principal. A valorização do selamento e adesão realizada neste esmalte é o que mais chama atenção.
O segundo ponto que me parece bastante forte é a influência do dissilicato de lítio nas indicações de cerâmicas bastante conservadoras e com resistência adequada. A versatilidade atual do uso da cerâmica a base de dissilicato é formidável.
A terceira acredito que tenha relação com os sistemas adesivos, com clara tendência aos autocondicionantes, queria você ou não.
A quarta talvez seja direcionado a resinas compostas: técnicas simplificadas de estratificação, com menos cores e variações serão a rotina, sem a grande viagem blasé que passamos em outras fases.

2-      Quando você está na frente do público, ministrando uma palestra, sempre espera-se uma ótima aula. Você se inspirou ou se inspira em alguém?

Espelhar é difícil e negativo porque cada um deve encontrar um estilo e forma de apresentação e comunicação, mas exemplos temos vários. Dois deles que gosto muito de assistir são o prof. Baratieri e o prof. Kina. Sempre é motivador e agradável sair de um curso deles, a sensação sempre é positiva, e este é o sentido de se assistir alguém: sair motivado para mudanças.

3-      Em relação às resinas compostas, qual a evolução mais marcante na sua opinião desses materiais?

Vou ser sincero, ela é bem parecida hoje com o que era a 20 anos atrás. Olhe o Herculite (Kerr), você acha realmente que as resinas são muito diferentes desta resina de vinte e poucos anos atrás?

4-      Como você desenvolveu sua habilidade de esculpir tão bem com resinas compostas?

Tive sempre dificuldade com dentes posteriores e adquiri uma obsessão por escultura, até um dia que tive um click vendo uma imagem de um dente, e minha técnica mudou sensivelmente. Busquei sempre cursos para protéticos, entre eles os de enceramento, e sempre observei muito técnicas e dentes. Acima de tudo indico sempre buscar uma fonte inspiradora como o prof. Paulo Kano, o mestre.

5-      Há um kit ideal de resina? Quais cores você indicaria para um kit básico de resina composta?

Escolha uma marca de resina microhíbrida, nanohíbrida ou nanoparticulada (Não importa) e compre:
A3, A2 e A1 dentina
A3, A2, A1 e dentes clareados esmalte
Uma resina de efeito incisal transparente (incisal ou transparente)
Uma resina translúcida levemente esbranquiçada como por exemplo PF (Vitalescence), trans 20 (Ivoclar vivadent), WE (Z-350 XT).

6-      Tem-se ouvido falar muito da técnica semi-direta de restaurações em compósito. Há limite entre a utilização de onlay de resina indireta e cerâmica?

Vejo um tendência de pequenos onlays e inlays serem direcionados para resinas compostas devido a margem oclusal que ser deteriora muito com sistemas cerâmicos, incluso dissilicato de lítio. Para grandes overlays com certeza indicaria cerâmicas.

7-      Vejo nos seus cursos que você planeja a escultura da resina na restauração visando uma boa distribuição de contatos oclusais, evitando assim ajustes oclusais demasiados. Qual a importância desses conceitos de oclusão na prática diária?

Esta é uma função da escultura: direcionar contatos e ajuste oclusal, não para ser bonito. Os ajustes corretos estabilizam posicionamento dental, equilibrando o sistema e evita a ocorrência de contatos prematuros ou interferências oclusais.

8-      Para você, ainda há indicação de utilização de resinas flow em restaurações em resina composta?

Uso muito em situações onde clinicamente a resina composta restauradora tem dificuldade de adaptação clínica (veja, estou falando de adaptação clínica e não contração). Acho admirável tantas pessoas falarem e se preocuparem tanto em contração volumétrica de 3,5% ou 4% e deixando buracos e falhas de adaptação na cavidade como tem acontecido. Temos que aprender a adaptar a resina na cavidade, manipular corretamente. Parece óbvio mas não é.

9-      O que você espera o futuro das restaurações de resina composta?



Uma resina que seja passível de ser utilizada com maior conversão de polimerização, mantendo mais polimento e com 6 cores somente.

Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tendências em Odontologia Estética Entrevista: RAFAEL CALIXTO






A odontologia estética tem sido cada vez mais requisitada pelos profissinais e pacientes, especialmente no que se refere às restaurações cerâmicas minimamente invasivas. Nesse contexto, o Dr. Rafael Calixto tem se destacado, com enorme competência, ministrando cursos nacionais e internacionais sobre o tema. Além de ser um clínico de excelência, ainda se destaca na área acadêmica, com a publicação de artigos clínicos e científicos, com enfoque odontologia estética.


Dr. Rafael Calixto
- Especialista, Mestre e Doutorando em Dentística Estética - UNESP Araraquara-SP;
- Professor dos Cursos de Especialização e Aperfeiçoamento em Dentística da AORP Ribeirão Preto/SP, UNESP Araraquara/SP e ABCD Campo Grande/MS
- Coordenador dos Cursos de Aperfeiçoamento em Estética Integrada do ANEO - Ribeirão Preto/SP, Arte e Estética com Resinas - APCD São Carlos/SP e Especialização em Dentística - ABO-Alagoas
- Professor Convidado do Curso de Especialização em Dentística da ABO-Rio Grande do Norte
- Ministrador de Cursos em Congressos no Brasil e Améria-Latina
- Clínica Particular em Ribeirão Preto / SP

1-      Para você, qual a grande tendência de odontologia estética hoje?


A Odontologia Estética tem evoluído muito nos últimos anos com o aperfeiçoamento de materiais e técnicas para o restabelecimento do sorriso. Esse crescimento vem acompanhando a exigência cada vez maior dos pacientes em relação ao resultado estético do seu tratamento, devido aos meios de comunicação como TV e internet, os quais oferecem "sorrisos perfeitos.” Com isso, acredito que a grande tendência da odontologia estética não é o surgimento e/ou desenvolvimento de novos materiais restauradores – diretos ou indiretos – mas sim o aprimoramento das técnicas e um planejamento personalizado para cada paciente, como exemplo o DSD (Digital Smile Design), no qual é possível fazer um planejamento virtual do tratamento, de acordo com suas características individuais, e reproduzí-lo posteriormente em boca.

2-      Em relação à odontologia minimamente invasiva para restaurações cerâmicas, tem-se falado muito nos microlaminados cerâmicos (“lentes de contato”) e fragmentos cerâmicos. Gostaria que você comentasse sobre indicações, vantagens e desvantagens em relação às restaurações convencionais com cerâmica.


Os preparos para restaurações indiretas estão cada vez mais conservadores, seguindo uma nova filosofia de máxima conservação da estrutura dental, através de uma técnica de preparos orientados por um guia de silicone, confeccionado a partir de um enceramento diagnóstico. Esse mínimo desgaste se deve a possibilidade de confeccionar facetas cerâmicas extremamente finas, chegando até a 0,2-0,3 mm de espessura, que são conhecidas como lentes de contato. São trabalhos indicados para correção de forma dental, pequenos realinhamentos ou fechamento de diastemas. Quando as cerâmicas são confeccionadas apenas para uma parte proximal ou incisal do dente, são chamadas de fragmentos cerâmicos. Apesar da vantagem de conservar a estrutura dental, essas peças são muito delicadas antes da cimentação, a qual deve ser feita com muito cuidado, e obrigatoriamente de forma adesiva.

3-      Qual a parcela que o ceramista tem no sucesso desse tipo de restauração?


As lentes de contato são extremamente difíceis de serem confeccionadas em laboratório, e exige um equipamento e técnica adequados. Um bom ceramista é essencial para um sucesso nesse tipo de procedimento. Aliás, em qualquer procedimento indireto, o correto planejamento e a comunicação clínico-laboratorial está diretamente relacionada ao sucesso do tratamento.  

4-      Qual o melhor protocolo de cimentação para as “lentes de contato” e fragmentos cerâmicos? Existe algum que consiga de maneira efetiva controlar os efeitos de friabilidade da cerâmica e garantindo uma longevidade clínica satisfatória?


O Protocolo para lentes de contato e fragmentos é os mesmo utilizado em facetas laminadas. Deve-se fazer um tratamento da peça com ácido fluorídrico, silano e adesivo, e o tratamento convencional para o dente (ácido + sistema adesivo). Utilizam-se cimentos exclusivamente fotopolimerizáveis na cor transparente. A diferença está nos cuidados com a peça antes de cimentar, evitando-se pressões muito fortes no momento da inserção, manipular as peças com “sticks”, e para os casos de fragmentos, fazer um acabamento com borrachas de cerâmica para mascarar a linha de cimentação.

5-      No caso dos fragmentos cerâmicos, este pode ser indicado para pacientes com disfunções oclusais e da ATM?


Sim, é possível realizar. Porém, assim como qualquer outro tratamento restaurador, deve-se tratar as causas e controlar consequências desse distúrbio (como a utilização de placas noturnas).

6-      Para você, qual o futuro das restaurações cerâmicas?


Como já citado anteriormente, acredito que o futuro das restaurações cerâmicas não está no desenvolvimento de novas formulações, composições ou outras cores. A evolução que já esta acontecendo hoje está no planejamento individual, na evolução das técnicas, nos preparos de invasão mínima, em ceramistas cada vez mais habilidosos realizando trabalhos de biomimetismo da estrutura dental, trabalhos extremamente naturais, que praticamente “somem” do sorriso do paciente. O Brasil tem os melhores ceramistas do mundo! E isso, associado a um profissional competente, atualizado, só gera benefícios aos nossos pacientes!!!


Entrevista realizada por Eduardo Souza Junior

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pinos de fibra anatômicos - reembasamento com resina composta

                                          Em casos onde o conduto radicular estiver mais largo que o pino que o dentista possuir, para não formar uma espessa linha de cimentação, deve-se reembasar com resina composta.

                                         Após seleção do pino, faz-se o condicionamento ácido somente para limpeza.

                                          Segue-se então a aplicação de silano por 1 minuto.

                                         Aplicação do adesivo com a correta fotoativação.
                                         Aplicação de resina, sem polimerizar, sobre a superfície do pino tratado. Essa resina não polimerizada irá modelar o conduto radicular preparado. Este conduto deve ser isolado com gel isolante que possa ser removido pela água (hidrossolúveis), como KY, Ollagel, etc.

                                        Insere-se o conjunto no conduto radicular para a modelagem.

                                         Faz-se uma pré-fotoativação por 5s.

                                         Aspecto inicial do pino anatômico com a correta modelagem do conduto radicular.

                                          Faz-se a fotoativação por 40s em cada lado do conjunto pino/resina.

                                          Após novo condicionamento ácido somente para limpeza, aplica-se o sistema adesivo.

                                          Nova fotoativação do adesivo, agora sobre o pino anatômico.

                                          Cimentação do pino anatômico. Dá-se preferência a cimentos resinosos químicos, já que a luz dificilmente conseguirá uma uniformidade de polimerização com cimentos duais.

                                          Restauração finalizada.




segunda-feira, 12 de março de 2012

Adesivos "multi-modo": simplificação necessária?

Como se sabe, existem duas técnicas de aplicação dos sistemas adesivos: técnica convencional (condicionamento ácido prévio) e técnica autocondicionante (sem necessidade do condicionamento ácido prévio). Cada técnica tem seus prós e contras. Para a técnica condicional, há uma excelente união em esmalte, porém a união em dentina, especialmente utilizando os sistemas simplificados, não tem uma qualidade na durabilidade da união, já que fibras colágenas desmineralizadas permanecem não-infiltradas pelos monômeros dos adesivos. Já para os adesivos autocondicionantes, possuem uma melhorada união em dentina, já que a faixe de dentina desmineralizada sem infiltração do adesivo é mínima, porém não proporcionam uma correta desmineralização em esmalte e a união nesse substrato fica dependente de um condicionamento seletivo adicional. Uma nova geração de adesivos foi lançada: adesivos "multi-modo". Esses adesivos são indicados pelos fabricantes para uso tanto pela técnica convencional, quanto pela autocondicionante. A empresa pioneira nesse tipo de adesivo é a 3M Espe, com o adesivo chamado Scotchbond Universal. Este adesivo ainda não foi lançado no Brasil, porém com previsão de chegada para junho/julho de 2012. Devido à quebra da patente do monômero do Clearfil SE Bond (Kuraray), o MDP, este foi incorporado ao adesivo Scotchbond Universal e o fabricante sugere que este pode ser utilizado tanto com o condicionamento ácido prévio da dentina, quanto sem condicionamento algum, funcionando como autocondicionante. Para o clínico, isso é um ganho importante, já que não há a necessidade de se possuir 2 tipos de adesivo no consultório e, a depender do planejamento do caso, com um único adesivo o profissional pode escolher pela técnica mais conveniente para cada caso. No entanto ainda há necessidade de comprovação científica da durabilidade desses adesivos aplicados das duas maneiras: convencional e autocondicionante. No congresso AADR (American Academy of Dental Research), que ocorre esse ano (2012) na Flórida, EUA, haverá algumas apresentações de trabalhos, especialmente os chefiados pelo prof. Jorge Perdigão. Vale a pena ler os abstracts sobre esses adesivos, já que apresentam resultados interessantes. Para isso, acessem a página do AADR (http://iadr.confex.com/iadr/2012tampa/webprogram/) e procurem pelos trabalhos. Porém, ainda não há estudos in vivo de acompanhamento, para efetivar o uso "multi-modo" desses adesivos e nenhum estudo publicado em revistas de impacto. Será mesmo que a aplicação de maneira autocondicionante desses adesivos "multi-modo" será melhor que a utilização de um bom adesivo autocondicionante de 2 passos? E preparem-se, pois com a patente do MDP quebrada, muitos serão os fabricantes que colocarão em seus folders: "Este adesivo possui MDP!". Igual a: "Esta resina possui nanopartículas!". Muito obrigado aos japoneses pela brilhante descoberta de quase 30 anos e por acreditarem na união química do adesivo com esmalte/dentina, não entendida por muitos até hoje.

Adesivos "multi-modo":

- Scotchbond Universal (3M Espe)
- All-Bond Universal (Bisco)
- G-bond Plus (GC)




sexta-feira, 2 de março de 2012

Classe II com resina nanoparticulada - 2 anos de acompanhamento

Caso realizado com resina nanoparticulada Z350 (3M Espe).

                                            Lesão de cárie proximal.

                                         Após preparo tipo "slot vertical" realizado, fez-se o condicionamento ácido do esmalte.

                                         Em seguida o condicionamento da dentina.

                                         Aplicação de adesivo convencional de frasco único.

                                         Confecção de maneira incremental a parede proximal.

                                         Inserção dos incrementos referentes à dentina e esmalte.

                                        Restauração finalizada após polimento.

                                         Restauração após 2 anos da confecção. Notem que há uma preservação anatômica e da integridade marginal com a resina nanoparticulada.